domingo, 24 de outubro de 2010
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
domingo, 12 de setembro de 2010
Bom ano lectivo!
Aguardamos a vossa visita!
A equipa da Biblioteca da EPALF
terça-feira, 22 de junho de 2010
Actividades de Animação da Leitura nas Escolas de 1º Ciclo
Textos produzidos pelos alunos no âmbito da Oficina de Escrita Criativa:


A flor
No jardim
Vi uma flor
Peguei-lhe
E dei-lhe amor
Sorriu para mim
E disse-me assim:
- Serás meu amigo
Até ao fim.
Ismael Fernandes, 4º ano, EB1 do Carvalhal

A Raia
Andava uma raia
A nadar, a nadar
Quando à praia foi parar
A chorar, a chorar, a chorar …
De repente, do ar
Alguém a veio salvar
E ela voltou para o amor
A cantar, a cantar, a cantar …
Marisa, 4º ano, EB1 do Carvalhal
O Parapente

A segurar o parapente
Vai um menino sorridente
Quando o parapente
Caiu de repente.
Andava no parapente
Um menino sorridente
Caiu para o chão
E partiu um dente.
Rodrigo Marques, 4º ano, EB1 do Carvalhal
A minha raposa
Eu tenho uma raposa
Um bocado manhosa!
Tão pequena … tão pequena
Que não é muito amorosa!
A minha raposa é tão linda,
linda de morrer!
Mas é muito pequena
Porque não gosto de comer!
Ricardo João, 3º ano, EB1 do Cabeçudo
Uma borboleta
Uma borboleta colorida
Sorridente vai voando
Numa papoila divertida
Todos os dias vai poisando.
Parise Hallam, EB1 do Carvalhal
O monstro
Tem apenas um olho
É um monstro horroroso
Vive numa casa feia
E mesmo mal cheirosa.
O monstro tem piolhos
Por causa da cabeleira
Ele é tão grande
Maior que uma videira.
Duarte, 4º ano, EB1 do Cabeçudo
A árvore de Natal
Uma árvore de Natal
Que é muito radical
De azul e verde enfeitada
Não fica nada mal.
Marília, 3º ano, EB1 do Carvalhal
O gigante de cristal
É um belo gigante
E até tem um cristal
O cristal brilha muito,
Que até atrai um pardal.
Tem botas de biqueira de aço,
E tem uma bela armadura
Traz uma bolsa gigante
Até parece casaca dura.
Samuel, 4º ano, EB1 do Carvalhal
Entrega de prémios
Embora simbólicos, os prémios destinam-se a reconhecer o empenho dos alunos e esperamos que sejam um estímulo para continuarem a participar no próximo ano.
Apresentamos aqui a lista das actividades e dos alunos premiados:
Ana Sofia Farinha-6ºE – Top Leitor, Ler é Fixe, Detective de erros
Ana Nunes-9ºE – Detective de erros
André Ferreira-8ºE – Poema do P
Andreia Marcelino-7ºG – Poema do P
Bruno-7ºG – Poesia Visual
Cláudia-8ºE – Escrita Criativa, Receita
Daniel Neves-5ºE – Detective de erros
Daniela Calado-8ºF - Ler é Fixe
Helena Barroso Dias-5ºC – Dia de Portugal…
Inês Francisco-9ºC – Detective de erros
João Mendes-6ºD – Escrita Criativa
Margarida Luís-7ºF – Detective de erros
Marisa Nunes-5ºF - Ler é Fixe
Patrícia-8ºE – Escrita Criativa (Receita)
Rafaela Cadete-7ºF – Detective de erros
Rute Monteiro-6ºD – Top Leitor, Dia de Portugal…
Sofia-8ºE- Escrita Criativa (Receita), Detective de erros
Sónia Monteiro-6ºD – Dia de Portugal…
Tânia Ferreira-7ºE – Escrita Criativa
Vera Pedro-5ºD – Escrita Criativa, Ler é Fixe
Verónica Oliveira-5ºE – Top Leitor
Yúri Marques-5ºF – Detective de erros
quarta-feira, 9 de junho de 2010
Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas
No dia 10 de Junho celebramos o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

Quando nasceu este feriado?
O 10 de Junho nasceu com a República quando Lisboa escolheu para feriado municipal o 10 de Junho, em honra de Camões.
Camões representava o génio da pátria, representava Portugal na sua dimensão mais esplendorosa e mais genia
O 10 de Junho, Dia de Camões, começou a ser festejado a nível nacional com o Estado Novo, um regime instituído em Portugal em 1933, sob a direcção de António de Oliveira Salazar.
O Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas é pois um tributo à data do falecimento de Luís Vaz de Camões em 1580, é utilizada para relembrar os feitos passados do povo lusitano E também os milhões de Portugueses que vivem fora do seu país natal.
Dia das Comunidades porque neste dia se homenageiam cinco milhões de portugueses espalhados pelo Mundo. Até ao 25 de Abril de 1974, o 10 de Junho era conhecido como o Dia de Camões, de Portugal e da Raça, exaltando-se a originalidade do povo português face aos outros povos europeus.
O Dia de Portugal é também o dia em que se tenta “dignificar, através da atribuição de determinados títulos e medalhas, portugueses que se tenham distinguido em determinadas áreas, sem distinção da opção ideológica ou da opção religiosa”.
Assinalámos o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas (feriado de 10 de Junho) com várias actividades das quais destacamos: Exposição "Ser Português"; Passatempos - Eleição da palavra mais bonita da língua portuguesa; Hastear da bandeira ao som do hino nacional; pequeno-almoço tipicamente português.
terça-feira, 25 de maio de 2010
Feira do Livro 2010
Decorreu durante a semana de 3 a 8 de Maio a tradicional Feira do Livro do Agrupamento de Escolas da Sertã. Durante uma semana, a comunidade escolar pode disfrutar da companhia não só de uma enorme quantidade de livros, como conversar com autores, ilustradores, contadores de histórias e outros convidados, dos quais destacamos: Sylviane Rigolet, Carla Nazareth. João Manuel Ribeiro, Julie Hodgson, Celeste Torres, ...
Foi uma semana em cheio!
quinta-feira, 20 de maio de 2010
terça-feira, 16 de março de 2010
DIa Mundial da Poesia e da Árvore
Poesia e árvore de mãos dadas
A comemoração do Dia Mundial da Poesia e da Árvore foi assinalado com a divulgação de poemas na Biblioteca e nas salas de aula ao primeiro tempo da manhã (Poesia ao Pequeno - Almoço); actividades de escrita criativa (Mancha de tinta, Poesia Visual, Definição Disparatada, Poema em P, ...); construção da Árvore da Poesia e divulgação da poesia e poetas através das actividades Estátuas Poéticas e Chá com Poesia.
Alunos em actividades de escrita criativa
segunda-feira, 15 de março de 2010
Dia da Mulher - 8 de Março
8 de Março: conquistas e controvérsias
Por Eva Alterman Blay, Abril de 2004
O Dia Internacional da Mulher foi proposto por Clara Zetkin em 1910 no II Congresso Internacional de Mulheres Socialistas. Nos anos posteriores a 1970 este Dia passou a ser associado a um incêndio que ocorreu em Nova Iorque em 1911.
O dia 8 de Março é dedicado à comemoração do Dia Internacional da Mulher. Actualmente tornou-se uma data um tanto festiva, com flores e bombons para uns. Para outros é relembrada sua origem marcada por fortes movimentos de reivindicação política, trabalhista, greves, passeatas e muita perseguição policial. É uma data que simboliza a busca de igualdade social entre homens e mulheres, em que as diferenças biológicas sejam respeitadas mas não sirvam de pretexto para subordinar e inferiorizar a mulher.
As mulheres faziam parte das "classes perigosas"
No século XIX e no início do XX, nos países que se industrializavam, o trabalho fabril era realizado por homens, mulheres e crianças, em jornadas de 12, 14 horas, em semanas de seis dias inteiros e frequentemente incluindo as manhãs de domingo. Os salários eram de fome, havia terríveis condições nos locais da produção e os proprietários tratavam as reivindicações dos trabalhadores como uma afronta, operárias e operários considerados como as "classes perigosas". Sucediam-se as manifestações de trabalhadores, por melhores salários, pela redução das jornadas e pela proibição do trabalho infantil.
A cada conquista, o movimento operário iniciava outra fase de reivindicações, mas em nenhum momento, até por volta de 1960, a luta sindical teve o objectivo de que homens e mulheres recebessem salários iguais, pelas mesmas tarefas. As trabalhadoras participavam das lutas gerais mas, quando se tratava da igualdade salarial, não eram consideradas. Alegava-se que as demandas das mulheres afectariam a "luta geral", prejudicariam o salário dos homens e, afinal, as mulheres apenas "completavam" o salário masculino.
Subjacente aos grandes movimentos sindicais e políticos emergiam outros, construtores de uma nova consciência do papel da mulher como trabalhadora e cidadã. Clara Zetkin, Alexandra Kollontai, Clara Lemlich, Emma Goldman, Simone Weil e outras militantes dedicaram suas vidas ao que posteriormente se tornou o movimento feminista.
Clara Zetkin propôs o Dia Internacional da Mulher
Clara Zetkin (1857-1933), alemã, membro do Partido Comunista Alemão, deputada em 1920, fundou e dirigiu a revista Igualdade, que durou 16 anos (1891-1907). Ao participar do II Congresso Internacional de Mulheres Socialistas, em Copenhagem, em 1910, Clara Zetkin propôs a criação de um Dia Internacional da Mulher sem definir uma data precisa. Contudo, vê-se erroneamente afirmado no Brasil e em alguns países da América Latina que Clara teria proposto o 8 de Março para lembrar operárias mortas num incêndio em Nova Iorque em 1857.
O movimento operário nos Estados Unidos
Assim como na Europa, era intenso o movimento trabalhador nos Estados Unidos desde a segunda metade do século XIX, sobretudo nos sectores da produção mineira e ferroviária e no de tecelagem e vestuário.
A emergente economia industrial norte-americana, muito instável, era marcada por crises. Nesse contexto, em 1903 formou-se a Women’s Trade Union League para organizar trabalhadoras assalariadas. Com as crises industriais de 1907 e 1909 reduziu-se o salário dos trabalhadores, e a oferta de mão-de-obra era imensa, dada a numerosa imigração proveniente da Europa. Grande parte dos operários e operárias era de imigrantes judeus, muitos com um passado de militância política.
No último domingo de Fevereiro de 1908, mulheres socialistas dos Estados Unidos fizeram uma manifestação a que chamaram Dia da Mulher, reivindicando o direito ao voto e melhores condições de trabalho. No ano seguinte, em Manhatan, o Dia da Mulher reuniu 2 mil pessoas.
Mulheres e movimentos sociais
No século XX, as mulheres trabalhadoras continuaram a manifestar-se em várias partes do mundo: Nova Iorque, Berlim, Viena (1911); São Petersburgo (1913). Causas e datas variavam. Em 1915, Alexandra Kollontai organizou uma reunião em Cristiana, perto de Oslo, contra a guerra. Nesse mesmo ano, Clara Zetkin faz uma conferência sobre a mulher. Em 8 de Março 1917 (23 de Fevereiro no Calendário Juliano), trabalhadoras russas do sector de tecelagem entraram em greve e pediram apoio aos metalúrgicos. Para Trotski esta teria sido uma greve espontânea, não organizada, e teria sido o primeiro momento da Revolução de Outubro.
Na década de 60, o 8 de Março foi sendo constantemente escolhido como o dia comemorativo da Mulher e consagrou-se nas décadas seguintes. Certamente esta escolha não ocorreu em consequência do incêndio na Triangle, embora este fato tenha se somado à sucessão de enormes problemas das trabalhadoras em seus locais de trabalho, na vida sindical e nas perseguições decorrentes de justas reivindicações.
domingo, 7 de março de 2010
Semana da leitura 2010
Durante a Semana da Leitura, de 1 a 5 de Março, a leitura esteve em destaque, em diferentes suportes e perspectivas.
Leu‐se em voz alta, ouviu‐se ler, partilharam‐se leituras, leu‐se através do texto, da imagem, da música, …
Das várias sessões destacamos a presença dos convidados: escritor David Machado, o Grupo de Jograis U Tópico e o contador de histórias José Craveiro.
Das sessões de leitura destacamos a leitura a pares, leitura de alunos mais velhos aos mais novos e a partilha trazida por uma encarregada de educação.
A Estafeta da Leitura foi também uma actividade que mobilizou todos os alunos que eram convidados a receber o testemunho (o livro) e a partilhá-lo com a turma seguinte.
As sessões de ilustração dos textos A Bolacha Maria de António Torrado e A Moça Tecelã de Marina Colossanti permitiram leituras tão díspares a que a pena e o traço deram corpo.
Durante esta longa semana também se exercitou a escrita nas sessões de Oficina de Escrita Criativa. O Jogo das Rimas e o Anúncio de si próprio foram os eleitos dos nossos pequenos escritores.
No último dia, sexta-feira, a culminar as actividades, toda a comunidade escolar reuniu-se no bar para um momento frenético e contagiante, em que a música e os livros se uniram sob o mote da música “Gotta Keep reading”.
Agradecemos a todos os docentes, alunos e encarregados de educação que colaboraram com a equipa nas actividades.
Para além das actividades referidas salientamos a distribuição de Bases de Tabuleiro com curiosidade e actividades lúdicas de Língua Portuguesa, a distribuição/Ilustração de Marcadores de Leitura e de Passaportes de Leitura aos alunos de 1º ciclo e 5º ano.
Dinamização de sessões de leitura;
Dinamização do I Concurso de Escrita do AES;
Encontro com o escritor David Machado; Encontro com o Contador de Histórias José Craveiro;
Recital de Poesia com o grupo de jograis U Tópico;
Exemplos de trabalhos realizados:
Oficina de Escrita Criativa
Oficina de Ilustração
Mob Dance;
Marcadores de Leitura;
Bases de Tabuleiro;
Entrega de um Passaporte da Leitura aos alunos do 1º ciclo;
Decoração dos espaços com cartazes e faixas alusivas à temática;
Comunidade Leitora;
Atribuição e entrega de prémios do Concurso de Escrita.
Os mais velhos lêem para os mais novos ...
Entrega de prémios aos vencedores do I Concurso de Escrita
Mob Dance
Sessão de Leitura prof. Ana Margarida
Oficina de Ilustração
Estafeta da Leitura
A Semana da Leitura em revista ...
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
DAVID MACHADO na Semana da Leitura
David Machado à conversa com os nossos alunos

O jovem escritor, David Machado, recentemente premiado pela Sociedade Portuguesa de Autores, estará no dia 1 de Março, na Semana da Leitura do Agrupamento.
O que disse David Machado da visita à Sertã …
Foram duas semanas intensas. As visitas às escolas e bibliotecas não podiam ter corrido melhor. No total, calculo uma assistência de cerca de 800 alunos, em 12 sessões, da Sertã a Faro, de Castelo Branco a Lisboa. A participação dos alunos foi sempre entusiasmante. Colocaram-me questões recorrentes, mas também outras novas e inesperadas, como por exemplo: "Quanto é que pesas?" ou "Que pergunta é que nunca te fizeram e gostavas que fizessem?" Assinei e dediquei mais de 250 livros. O Tubarão na Banheira esgotou em todo o lado. Tanto nas escolas como nas bibliotecas a organização dos eventos foi sempre de nível muito elevado, e só não subiu ainda mais porque o mau tempo da semana passada não o permitiu.
In http://otubaraonabanheira.blogspot.com/
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Rosa Lobato Faria

A escritora, letrista e actriz Rosa Lobato Faria, morreu no dia 2 deste mês, aos 77 anos, depois de uma semana de internamento num hospital privado.
Foi colaboradora (dizendo poesias) de David Mourão-Ferreira em programas
literários da televisão. Autora, entre outros, dos romances Flor do Sal, A
Trança de Inês, Romance de Cordélia, O Prenúncio das Águas, ou mais
recentemente A Estrela de Gonçalo Enes (ed. Quasi). Publicamos aqui
a 'autobiografia' que escreveu para o JL há dois anos
Autobiografia
Quando eu era pequena havia um mistério chamado Infância. Nunca tínhamos
ouvido falar de coisas aberrantes como educação sexual, política e pedofilia.
Vivíamos num mundo mágico de princesas imaginárias, príncipes encantados e
animais que falavam. A pior pessoa que conhecíamos era a Bruxa da Branca de
Neve. Fazíamos hospitais para as formigas onde as camas eram folhinhas de
oliveira e não comíamos à mesa com os adultos. Isto poupava-nos a conversas
enfadonhas e incompreensíveis, a milhas do nosso mundo tão outro, e deixava-
nos livres para projectos essenciais, como ir ver oscilar os agriões nos
regatos e fazer colares e brincos de cerejas. Baptizávamos as árvores,
passeávamos de burro, fabricávamos grinaldas de flores do campo. Fazíamos
quadras ao desafio, inventávamos palavras e entoávamos melodias nunca
aprendidas.
Na Infância as escolas ainda não tinham fechado. Ensinavam-nos coisas
inúteis como as regras da sintaxe e da ortografia, coisas traumáticas como
sujeitos, predicados e complementos directos, coisas imbecis como verbos e
tabuadas. Tinham a infeliz ideia de nos ensinar a pensar e a surpreendente
mania de acreditar que isso era bom.
Não batíamos na professora, levávamos-lhe flores.
E depois ainda havia infância para perceber o aroma do suco das maçãs
trincadas com dentes novos, um rasto de hortelã nos aventais, a angustia de
esperar o nascer do sol sem ter a certeza de que viria (não fosse a ousadia
dos pássaros só visíveis na luz indecisa da aurora), a beleza das cantigas
límpidas das camponesas, o fulgor das papoilas. E havia a praia, o mar, as
bolas de Berlim. (As bolas de Berlim são uma espécie de ex-libris da Infância
e nunca mais na vida houve fosse o que fosse que nos soubesse tão bem).
Aos quatro anos aprendi a ler; aos seis fazia versos, aos nove ensinaram-
me inglês e pude alargar o âmbito das minhas leituras infantis. Aos treze fui,
interna, para o Colégio. Ali havia muitas raparigas que cheiravam a pão,
escreviam cartas às escondidas, e sonhavam com os filmes que viam nas férias.
Tínhamos a certeza de que o Tyrone Power havia de vir buscar-nos, com os seus
olhos morenos, depois de nos ter visto fazer uma entrada espampanante no salão
de baile onde o Fred Astaire já nos teria escolhido para seu par ideal.
Chamava-se a isto Adolescência, as formas cresciam-nos como as
necessidades do espírito, música, leitura, poesia, para mim sobretudo
literatura, história universal, história de arte, descobrimentos e o Camões a
contar aquilo tudo, e as professoras a dizerem, aplica-te, menina, que vais
ser escritora.
Eram aulas gloriosas, em que a espuma do mar entrava pela janela, a
música da poesia medieval ressoava nas paredes cheias de sol, ay eu coitada,
como vivo em gran cuidado, e ay flores, se sabedes novas, vai-las lavar alva,
e o rio corria entre as carteiras e nele molhávamos os pés e as almas.
Além de tudo isto, que sorte, ainda havia tremas e acentos graves.
Mas também tínhamos a célebre aula de Economia Doméstica de onde saíamos
com a sensação de que a mulher era uma merdinha frágil, sem vontade própria,
sempre a obedecer ao marido, fraca de espírito que não de corpo, pois, tendo
passado o dia inteiro a esfregar o chão com palha de aço, a espalhar cera, a
puxar-lhe o lustro, mal ouvia a chave na porta havia de apresentar-se ao macho
milagrosamente fresca, vestida de Doris Day, a mesa posta, o jantarinho
rescendente, e nem uma unha partida, nem um cabelo desalinhado, lá-lá-lá,
chegaste, meu amor, que felicidade! (A professora era uma solteirona, mais
sonhadora do que nós, que sabia todas as receitas do mundo para tirar todas as
nódoas do mundo e os melhores truques para arear os tachos de cobre que
ninguém tinha na vida real).
Mas o que sabíamos nós da vida real? Aos 17 anos entrei para a Faculdade
sem fazer a mínima ideia do que isso fosse. Aos 19 casei-me, ainda
completamente em branco (e não me refiro só à cor do vestido). Só seis anos,
três filhos e centenas de livros mais tarde é que resolvi arrumar os meus
valores como quem arruma um guarda-vestidos. Isto não, isto não se usa, isto
não gosto, isto sim, isto seguramente, isto talvez. Os preconceitos foram os
primeiros a desandar, assim como todos os itens que à pergunta porquê só me
tinham respondido porque sim, ou, pior, porque sempre foi assim. E eu, tumba,
lixo, se sempre foi assim é altura de deixar de ser e começar a abrir caminho
às gerações futuras (ainda não sabia que entre os meus 12 netos se contariam
nove mulheres). Ouvi ontem uma jovem a dizer, a revolução que nós fizemos nos
últimos anos. Não meu amor: a revolução que NÓS fizemos nos últimos 50 anos.
Mas não interessa quem fez o quê. É preciso é que tenha sido feito. E que seja
feito. E eu fiz tudo, quando ainda não era suposto. Quando descobri que ser
livre era acreditar em mim própria, nos meus poucos, mas bons, valores
pessoais.
Depois foram as circunstâncias da vida. A alegria de mais um filho,
erros, acertos, disparates, generosidades, ingenuidades, tudo muito bom para
aprender alguma coisa. Tudo muito bom. Aprender é a palavra chave e dou por
mal empregue o dia em que não aprendo nada. Ainda espero ter tempo de aprender
muita coisa, agora que decidi que a Bíblia é uma metáfora da vida humana e
posso glosar essa descoberta até, praticamente, ao infinito.
Pois é. Eu achava, pobre de mim, que era poetisa. Ainda não sabia que
estava só a tirar apontamentos para o que havia de fazer mais tarde. A ganhar
intimidade, cumplicidade com as palavras. Também escrevia crónicas e contos e
recados à mulher-a-dias. E de repente, aos 63 anos, renasci. Cresceu-me uma
alma de romancista e vá de escrever dez romances em 12 anos, mais um livro de
contos (Os Linhos da Avó) e sete ou oito livros infantis. (Esta não é a minha
área, mas não sei porquê, pedem-me livros infantis. Ainda não escrevi nenhum
que me procurasse como acontece com os romances para adultos, que vêm de noite
ou quando vou no comboio e se me insinuam nos interstícios do cérebro, e me
atiram para outra dimensão e me fazem sorrir por dentro o tempo todo e me
tornam mais disponível, mais alegre, mais nova).
Isto da idade também tem a sua graça. Por fora, realmente, nota-se
muito. Mas eu pouco olho para o espelho e esqueço-me dessa história da imagem.
Quando estou em processo criativo sinto-me bonita. É como se tivesse luzinhas
na cabeça. Há 45 anos, com aquela soberba muito feminina, costumava dizer que
o meu espelho eram os olhos dos homens. Agora são os olhos dos meus leitores,
sem distinção de sexo, raça, idade ou religião. É um progresso enorme.
Se isto fosse uma autobiografia teria que dizer que, perto dos 30,
comecei a dizer poesia na televisão e pelos 40 e tais pus-me a fazer umas
maluqueiras em novelas, séries, etc. Também escrevi algumas destas coisas e
daqui senti-me tentada a escrever para o palco, que é uma das coisas mais
consoladoras que existem (outra pessoa diria gratificantes, mas eu, não sei
porquê, embirro com essa palavra). Não há nada mais bonito do que ver as
nossas palavras ganharem vida, e sangue, e alma, pela voz e pelo corpo e pela
inteligência dos actores. Adoro actores. Mas não me atrevo a fazer teatro
porque não aprendi.
Que mais? Ah, as cantigas. Já escrevi mais de mil e 500 e é uma das
coisas mais divertidas que me aconteceu. Ouvir a música e perceber o que é que
lá vem escrito, porque a melodia, como o vento, tem uma alma e é preciso
descobrir o que ela esconde. Depois é uma lotaria. Ou me cantam
maravilhosamente bem ou tristemente mal. Mas há que arriscar e, no fundo, é só
uma cantiga. Irrelevante.
Se isto fosse uma autobiografia teria muitas outras coisas para contar.
Mas não conto. Primeiro, porque não quero. Segundo, porque só me dão este
espaço que, para 75 anos de vida, convenhamos, não é excessivo.
Encontramo-nos no meu próximo romance.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Dia de S. Valentim
Propostas de trabalho para os alunos
Trabalhos dos alunos

Love is in the air
As cartas de amor serão ridículas?
Vê o que diz Fernando Pessoa sobre o assunto...
Cartas de Amor
Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)
Fonte: AGULHA, Revista. Jornal de Poesia. Acedido em: 14, Fevereiro, 2007. Álvaro de Campos: http://www.revista.agulha.nom.br/facam83.html